*Sêmia Mauad/ Agrofrequência
A vulnerabilidade no controle de pátio e na gestão de expedição de uma das maiores regiões produtoras de grãos do país foi o ponto de partida para a Operação Fantasma, deflagrada pela Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso na manhã desta quinta-feira, dia 15 de outubro. A ação coordenada pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) cumpre mandados em hubs estratégicos do agronegócio estadual: Sapezal, Sinop e Rondonópolis.

O alvo das forças de segurança é um esquema estruturado de apropriação indébita e furto qualificado de soja que operava diretamente no fluxo logístico interno de uma grande propriedade rural em Sapezal.
FALHA NOS PROTOCOLOS DE EXPEDIÇÃO E BALANÇA
As investigações policiais revelaram um modus operandi desenhado para ultrapassar todas as etapas de compliance e governança do armazém da fazenda. Entre janeiro e agosto de 2026, a polícia documentou ao menos dez carregamentos clandestinos de soja.

A engrenagem criminosa dependia da cooperação direta entre colaboradores operacionais da fazenda e transportadores terceirizados.
Conjuntos veiculares pesados entravam na propriedade rural e eram carregados. Os caminhões e carretas deixavam o perímetro sem passar pela pesagem obrigatória na balança de fluxo. A frota saía da unidade sem a emissão do Conhecimento de Transporte Eletrônico (CT-e), Nota Fiscal e do checklist de liberação de portaria.
Ao burlar o sistema de gestão do armazém, o volume transportado saía sem gerar registros formais no estoque da empresa, atuando literalmente como “frotas fantasmas”.
AUDITAGEM TECNOLÓGICA E RASTREABILIDADE DO GRÃO
A quebra do padrão de segurança foi constatada a partir de uma auditoria detalhada solicitada pela perícia, que cruzou dados de inteligência técnica. Checagem de câmeras de monitoramento nos portões de acesso, análise de áudios de comunicação e relatórios de fluxo de balança e confronto de horários de jornada de trabalho das equipes de expedição e dos motoristas.
A confirmação da rota do grão desviado ocorreu em 14 de agosto, quando os investigadores rastrearam um conjunto veicular carregado com soja desde a saída de Sapezal até o entreposto em Rondonópolis, onde o produto foi apreendido e restituído ao produtor.
DESARTICULAÇÃO DA FROTA E DESDOBRAMENTOS
Para neutralizar a capacidade operacional e logística da organização, a Justiça de Mato Grosso deferiu 5 mandados de prisão preventiva, 5 mandados de busca e apreensão, além de apreensão e sequestro de 5 conjuntos veiculares (caminhões-tratores, reboques e semirreboques).
O foco das autoridades agora se volta para a ponta receptora do mercado de grãos. A Polícia Civil investiga se as cargas desviadas eram comercializadas com notas fiscais frias ou inseridas de forma irregular no circuito agroindustrial e de trading do estado.