*Sêmia Mauad/ Agrofrequencia
A engorda intensiva de bovinos no Brasil alcançou a marca histórica de aproximadamente 10 milhões de cabeças de gado confinadas na atual temporada. Segundo levantamento técnico divulgado pela Scot Consultoria, os números confirmam a trajetória de crescimento contínuo do setor frente ao ciclo anterior, embora o volume final tenha ficado ligeiramente abaixo das primeiras projeções mais otimistas do mercado.
Apesar do custo elevado para a aquisição do gado magro e da reposição ao longo do ano, os pecuaristas conseguiram capturar melhores margens financeiras durante o período de alimentação fechada, sustentando a viabilidade econômica do negócio mesmo diante das oscilações nas cotações do boi gordo.
Para diluir o expressivo investimento feito na compra dos animais de reposição, as fazendas brasileiras mudaram a estratégia operacional e estenderam a permanência do rebanho nos currais. O período médio de alimentação intensiva subiu de 105 para 113 dias nesta temporada.
Essa extensão de prazo foi viabilizada por um fator decisivo no custo de produção: a queda nos preços de insumos fundamentais da nutrição animal, como o milho, a silagem e os coprodutos agrícolas (a exemplo da torta de algodão e do DDG). Com a alimentação mais acessível, o confinador pôde esticar o tempo de cocho para produzir arrobas adicionais por animal e elevar o ganho de rendimento de carcaça, equilibrando a planilha de custos.
Outro movimento estratégico mapeado pelo levantamento foi o aumento substancial na presença de novilhas e vacas confinadas.
A opção pelo confinamento de fêmeas trouxe duas grandes vantagens operacionais para os produtores. O custo de aquisição da fêmea magra exige menor capital de giro em comparação ao macho de reposição. As novilhas apresentam rápido acabamento de gordura na carcaça e atração de nichos de carne de qualidade, garantindo premiações atrativas pagas pelos frigoríficos no momento do abate.
INTEGRAÇÃO LAVOURA-PECUPÁRIA FECHA A CONTA SUSTENTÁVEL
A pesquisa da Scot Consultoria revelou ainda que mais de 70% das propriedades visitadas adotam o modelo de Integração Lavoura-Pecuária (ILP) ou utilizam produção própria de grãos e volumoso para alimentar o rebanho.
Esse modelo de economia circular consolida-se como o maior trunfo contra a volatilidade do mercado. A lavoura fornece o milho, a soja e a silagem diretamente para o vagão misturador do confinamento, reduzindo os custos de frete e intermediação.
Em contrapartida, o esterco e os resíduos orgânicos recolhidos nos currais retornam ao solo como adubo orgânico de alta qualidade para as áreas de plantio, reduzindo a dependência de fertilizantes químicos importados.