*Sêmia Mauad/ Agrofrequencia
Os preços futuros do milho operam em queda na Bolsa de Chicago (CBOT) na manhã desta segunda-feira, dia 26 de outubro. O movimento dá continuidade à forte pressão vendedora observada ao longo da semana passada, refletindo a atenção dos agentes financeiros sobre a elevada oferta norte-americana e o avanço dos trabalhos de colheita no hemisfério norte.
Por volta das 7h26 (horário de Brasília), todos os principais vencimentos do cereal operavam no campo negativo:
-Dezembro/26: Negociado a US$ 4,5300 por bushel, registrando desvalorização de 3,00 cents (-0,66%) frente ao fechamento anterior.
-Março/27: Recuava 2,50 cents, cotado a US$ 4,6775 por bushel.
-Maio/27: Perdia 2,75 cents, negociado a US$ 4,7625 por bushel.
-Julho/27: Baixa de 2,25 cents, cotado a US$ 4,8325 por bushel.
O recuo estende as perdas acumuladas nos últimos dias. Na última sexta-feira, dia 23 de outubro, o contrato dezembro/26 já havia encerrado a US$ 4,5600 por bushel, consolidando uma queda semanal de 3,85%. Os vencimentos para março, maio e julho de 2027 também acumularam desvalorizações expressivas na semana anterior, de 3,34%, 2,94% e 2,75%, respectivamente.
FUNDAMENTOS DO MERCADO: SUPERPRODUÇÃO NOS EUA E RITMO DE COLHEITA
A pressão sobre as cotações internacionais é sustentada por números robustos do lado da oferta.
No relatório mensal de oferta e demanda divulgado em 9 de outubro, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) elevou a estimativa de produção de milho do país para 407,28 milhões de toneladas, impulsionada por uma produtividade média projetada em 181,2 bushels por acre.
Os estoques de passagem norte-americanos para a temporada 2026/27 foram revisados para cima, alcançando cerca de 46,97 milhões de toneladas. O aumento no volume disponível consolida-se como o principal fundamento de retenção das altas na CBOT.
Até o dia 18 de outubro, os produtores dos EUA haviam colhido 44% da área cultivada, um avanço de 11 pontos percentuais em uma semana. Embora o índice estivesse ligeiramente abaixo da média dos últimos cinco anos (52%), em razão de atrasos pontuais em estados como Iowa, Nebraska e Minnesota, a entrada do grão físico no mercado pressiona as cotações de curto prazo. Uma nova atualização sobre o ritmo de colheita será divulgada pelo USDA no final da tarde desta segunda-feira.
O mercado aguarda a divulgação dos dados semanais de inspeção para exportação. Na última leitura, o volume inspecionado havia caído para 672,5 mil toneladas. Em contrapartida, o relatório mais recente de vendas líquidas trouxe um alívio ao registrar forte recuperação nas negociações internacionais, somando 1,53 milhão de toneladas na semana encerrada em 15 de outubro.