*Sêmia Mauad/ Agrofrequencia
O mercado de trabalho ligado ao setor produtivo no Brasil atingiu uma marca histórica. O agronegócio brasileiro encerrou o segundo trimestre de 2026 com 28,4 milhões de pessoas ocupadas, estabelecendo um novo recorde para o período do ano. Os dados foram divulgados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
Com esse desempenho, o setor reafirma a relevância estrutural na economia nacional: 26% de todas as pessoas ocupadas no país estavam vinculadas a alguma das atividades que integram a cadeia do agronegócio entre os meses de abril e junho de 2026. A expansão registrada no segundo trimestre representou uma inversão de rumo em relação aos três primeiros meses do ano, sinalizando forte dinamismo nas atividades do campo.
RETOMADA APÓS RETRAÇÃO NO INÍCIO DO ANO
No primeiro trimestre de 2026, o agronegócio havia reunido cerca de 27,79 milhões de trabalhadores, o que representou uma retração de 1% na comparação com o mesmo período de 2025, impulsionada principalmente pela redução de postos nos agrosserviços e na agroindústria.
No entanto, entre o primeiro e o segundo trimestre de 2026, o cenário mudou positivamente: o número de pessoas ocupadas no setor avançou 0,1%, o que significou a adição de aproximadamente 27 mil trabalhadores. No mesmo intervalo, o mercado de trabalho brasileiro como um todo apresentou um crescimento intenso de 1% (cerca de 1,08 milhão de pessoas adicionais), puxando a taxa de desocupação do país para 5,4%, o menor resultado para o período desde o início da série histórica considerada pelo levantamento.
Na comparação direta com o segundo trimestre de 2025, o crescimento do agronegócio foi de 0,7%, demonstrando resiliência e expansão contínua.
SEGMENTO PRIMÁRIO LIDERA EXPANSÃO DE VAGAS
O grande motor dessa alta no mercado de trabalho do setor foi o segmento primário. As atividades voltadas diretamente à produção agropecuária incorporaram 145.795 trabalhadores em apenas três meses, um avanço expressivo de 1,9%. O crescimento concentrou-se em atividades ligadas à agricultura e à produção florestal, com destaque para a cafeicultura, o cultivo de milho e a produção de cereais.
Ao comparar com o segundo trimestre de 2025, o segmento primário registrou um crescimento ainda mais expressivo, de 2,7%, enquanto os agrosserviços avançaram 1,1%.
Por outro lado, na variação entre o primeiro e o segundo trimestre de 2026, os agrosserviços perderam 101.732 trabalhadores; o segmento de insumos agropecuários registrou redução de 15.270 pessoas (com retração de 6,5% na comparação anual); e a agroindústria apresentou uma diminuição de 1.793 ocupados (recuo de 2,4% frente ao ano anterior).
Apesar das flutuações nesses subsetores, o indicador amplo do Cepea/CNA corrobora o bom momento do emprego formal. Dados divulgados pela CNA com base no Novo Caged, sistema que monitora admissões e desligamentos com vínculo formal, apontam que apenas no mês de julho a agropecuária foi responsável pela criação de 12.523 novos postos de trabalho formais.
CRESCIMENTO NA PARTICIPAÇÃO FEMININA
O levantamento também detalhou o comportamento da ocupação no setor dividida por gênero entre o segundo trimestre de 2025 e o mesmo período de 2026. O contingente feminino apresentou um crescimento de 0,7%, marcado pela entrada de cerca de 76 mil mulheres nas atividades do agronegócio.
Embora os homens continuem sendo a maioria no setor — com o contingente masculino avançando 0,6%, o equivalente a cerca de 112,5 mil novos trabalhadores, o crescimento proporcional do público feminino destacou-se ligeiramente no período analisado, evidenciando a crescente inserção e valorização das mulheres nas diversas cadeias produtivas do agro brasileiro.