*Sêmia Mauad/ Opinião MT
Sete mulheres com forte atuação no agronegócio e no desenvolvimento socioambiental de Mato Grosso foram incluídas na segunda edição da prestigiada lista “As 100 Mulheres Poderosas do Agro”, divulgada na última quinta-feira, dia 15 de outubro, pela publicação Forbes Agro.
O levantamento nacional reconhece lideranças que exercem influência direta em tomadas de decisões, movimentação de negócios e transformações estruturais na cadeia produtiva do país.
De acordo com a metodologia adotada pela Forbes, a escolha das selecionadas avaliou três pilares centrais: o poder de decisão sobre recursos e negócios, o impacto direto na atividade produtiva (incluindo adoção de tecnologias, abertura de mercados e gestão de pessoas) e a capacidade de mobilizar e orientar comunidades e setores, independentemente de fama ou presença massiva em redes sociais.
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A presença mato-grossense no levantamento reflete a pluralidade do setor no estado, abrangendo desde grandes conglomerados, pecuária de elite e bem-estar animal até a bioeconomia indígena e a aproximação entre o campo e a cidade:
-Belisa Souza Maggi: Neta dos fundadores André e Lucia Maggi, é acionista do conglomerado familiar, sócia-administradora da Agropecuária Pirapora e preside a Fundação Amaggi, criada em 1997 em Sapezal, braço social que executa projetos nos municípios de atuação do grupo.
-Carmen Perez: Pecuarista na Fazenda Orvalho das Flores, em Araguaiana, é referência nacional em manejo ético e bem-estar animal. Criou o curso “Rebanho de Valor” e idealizou o projeto audiovisual “Quando Ouvi a Voz da Terra” (documentário e websérie) para difundir boas práticas na pecuária.
-Geni Caline Schenkel: Fundou em 2018, em Campo Verde, o Movimento Agroligadas, com o objetivo de conectar o setor agrícola à população urbana. O projeto, que começou com um pequeno grupo de mulheres, reúne hoje cerca de 3 mil participantes em 100 cidades de 24 estados, impactando mais de 2 milhões de pessoas.
-Maria Cecília Zenezokemaero: Integrante do povo Haliti-Paresi, foi a primeira mulher de sua aldeia a se formar em Engenharia Agronômica. Atua em Campo Novo do Parecis prestando assistência técnica em lavouras e divulgando práticas agrícolas. No território Paresi, a comunidade cultiva cerca de 17 mil hectares (1% das terras) com soja, milho, feijão e gergelim, distribuindo a renda igualmente entre as famílias.
-Mônica Marchett: Pecuarista e diretora de marketing da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB). À frente do Grupo Mônica, participou da expansão dos negócios da família, que somam aproximadamente 70 mil hectares no Brasil e na Bolívia, com um rebanho de 25 mil bovinos entre gado comercial e Nelore de elite, utilizando a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF).
-Natália Martins: À frente da gestão financeira e comercial da Fazenda Camparino, em Cáceres, representa a sexta geração de criadores de sua família. Atua na criação de cavalos Quarto de Milha e, após a morte de seu avô, José Humberto Vilela Martins, em agosto de 2026, criou o projeto “Zezão Responde” nas redes sociais para compartilhar o legado técnico e prático deixado por ele.
-Neiriane Taerik: Aos 26 anos, é a primeira mulher a presidir a Associação Indígena Aldeia Barranco Vermelho, na Terra Indígena Erikpatsa, em Brasnorte. Lidera um grupo de 16 mulheres no beneficiamento da castanha-do-brasil, inserido em uma iniciativa de bioeconomia que envolve 12 aldeias e comercializou 2,5 toneladas do produto entre 2024 e 2025, unindo geração de renda e conservação florestal.