*Sêmia Mauad/ Agrofrequência
A atividade agropecuária ocupava 65,2 milhões de hectares no bioma Amazônia no ano de 2025. Desse total, 13,6 milhões de hectares estavam situados justamente nas zonas de amortecimento e entorno de Unidades de Conservação (UCs), Terras Indígenas (TIs) e Territórios Quilombolas, representando 30,5% da área total dessas faixas de proteção.
Os dados fazem parte do recorte da Coleção 11 do MapBiomas, rede colaborativa formada por ONGs, universidades e empresas de tecnologia, divulgado nesta quarta-feira, dia 14 de outubro. O levantamento traça o raio-x do uso da terra no bioma e revela um crescimento expressivo de 561% da agropecuária no entorno de áreas protegidas ao longo de um período de 41 anos.
O estudo do MapBiomas demonstra ainda uma correlação direta entre a malha viária e o avanço da produção agropecuária sobre a floresta. A proximidade com estradas é indicada como um dos principais vetores associados à ocupação e à pressão sobre os territórios nativos.
Conforme o mapeamento, existem 157 milhões de hectares localizados em um raio de até 5 quilômetros das vias mapeadas no bioma, extensão que abrange cerca de 618 mil quilômetros de rodovias e vicinais: 40,2% dessa faixa limítrofe (até 5 km das vias) já estão ocupados por atividades agropecuárias. Esse percentual equivale a 63 milhões de hectares. O volume concentrado perto das estradas corresponde a mais de 96% de toda a área agrícola e pecuária existente no bioma Amazônia.
À medida que a distância das estradas aumenta, a presença da atividade cai de forma expressiva para 26,7%, confirmando o papel das rodovias como eixos centrais de expansão da infraestrutura e alteração da cobertura vegetal.