*Sêmia Mauad/ Agrofrequencia
Os contratos futuros do café operam com forte impulso comprador no início das negociações deste mês de novembro nas bolsas mundiais. A movimentação registrada nesta segunda-feira, dia 2 de novembro, consolida uma curva de recuperação das cotações após a sequência de baixas que marcou a última semana de outubro.
No mercado internacional, a força compradora ganha ritmo tanto na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), onde o café arábica voltou a superar a marca dos 290 cents por libra-peso, quanto na Bolsa de Londres (ICE Futures Europe), onde o tipo robusta registra valorizações superiores a 2% nos principais prazos de entrega.
RECUPERAÇÃO NO ARÁBICA EM NOVA YORK
Por volta das 9h23 (horário de Brasília), o contrato para dezembro de 2026, indicador de referência no curto prazo, registrava alta de 6,65 cents na ICE Futures US, cotado a 293,85 cents por libra-peso, o que representa uma elevação de 2,32%.
O movimento de alta estendeu-se aos vencimentos subsequentes. O contrato para março de 2027 apresentou avanço de 5,65 cents, negociado a 282,45 cents por libra-peso. Já a posição para maio de 2027 registrava valorização de 5,25 cents, cotada a 278,00 cents por libra-peso.
Esta aceleração dá continuidade à reação iniciada na última sexta-feira, dia 30 de outubro, quando o contrato de dezembro/26 fechou em 287,20 cents por libra-peso, com alta de 0,61%. Naquela semana, o vencimento havia acumulado uma retração expressiva de 6,59% em relação ao dia 23. Embora o patamar atual recupere a faixa dos 290 cents, as cotações ainda sustentam um patamar inferior ao teto de 307,45 cents registrado no fechamento do dia 23 de outubro, o que sinaliza uma recomposição pontual de margens por parte dos fundos de investimento.
ROBUSTA SUSTENTA GANHOS EM LONDRES
Em Londres, o mercado do café robusta acompanha o movimento de alta e amplia a recuperação iniciada na sessão anterior.
O contrato para janeiro de 2027 operava cotado a US$ 3.274 por tonelada, uma elevação de US$ 70, o equivalente a 2,18%, após atingir a máxima intradiária de US$ 3.315 por tonelada. O vencimento para março de 2027 registrava alta de US$ 68, negociado a US$ 3.261 por tonelada, enquanto a posição para maio de 2027 subia US$ 62, cotada a US$ 3.249 por tonelada.
A alta em Londres ocorre após um mês de outubro marcado por pressão sobre os preços do robusta, motivada pela entrada da nova safra do Vietnã e pelo aumento progressivo dos estoques certificados globalmente.
FUNDAMENTOS EM DISPUTA: CURTO PRAZO APERTA VS OFERTA FUTURA CRESCE
Os analistas do setor observam um mercado dividido entre dois vetores de influência opostos. De um lado, os sinais de disponibilidade limitada no curto prazo sustentam os preços, impulsionados pelos baixos níveis dos estoques certificados na ICE e pelas incertezas de curto prazo na recomposição das reservas. De outro lado, a perspectiva de aumento na oferta para os próximos ciclos atua como fator de contenção das altas.
Na Bolsa de Nova York, os estoques certificados de arábica continuam em patamares reduzidos, embora dados da agência Reuters apontem que o volume de sacas enviadas para apuração nos armazéns credenciados da ICE deu sinais de reação no final de outubro, atingindo 225.068 sacas no dia 29, com cerca de 44 mil sacas aguardando classificação.
Em contrapartida, a projeção de uma safra robusta nos três maiores produtores globais — Brasil, Vietnã e Indonésia —, somada ao ritmo de embarques nos portos brasileiros, tende a aliviar a oferta global nos próximos ciclos e favorecer a recomposição das reservas internacionais.
FATORES DE ATENÇÃO NO BRASIL
Para os cafeicultores e exportadores brasileiros, a formação das cotações no mercado interno e a competitividade das vendas externas dependem diretamente de duas variáveis fundamentais nas próximas semanas.
A primeira é a evolução do regime de chuvas nas principais praças cafeeiras do país, fator determinante para o pegamento das floradas e a definição do potencial produtivo da safra 2027. A segunda é o comportamento do câmbio, cuja oscilação do dólar ante o real segue calibrando a competitividade das exportações e o apetite vendedor das cooperativas e trading no mercado nacional.