*Sêmia Mauad/ Agrofrequencia
Os preços futuros do café arábica aceleraram o movimento de queda e ampliaram as perdas na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) ao longo da manhã desta terça-feira, dia 27 de outubro. O mercado vem sendo pressionado pela forte aceleração dos embarques de café do Brasil rumo aos países consumidores, aliada à consolidação de chuvas nas principais regiões produtoras brasileiras e ao reajuste das cotações cambiais.
Por volta das 11h55 (horário de Brasília), o contrato dezembro/26 do arábica era negociado a 289,80 cents por libra-peso, registrando uma expressiva desvalorização de 3,71%. O movimento rompeu a barreira técnica dos 290 cents. Mais cedo, às 9h05, o mesmo vencimento operava em 294,55 cents (-2,13%), o que representa uma perda adicional de 4,75 cents no decorrer da manhã.
Nas posições seguintes, o vencimento março/27 recuava 2,82%, cotado a 277,15 cents/lb, enquanto o maio/27 perdia 2,71%, cotado a 273,05 cents/lb. O contrato julho/27 operava com baixa de 2,67%, negociado a 270,10 cents por libra-peso.
Com o resultado desta manhã, o contrato dezembro acumula uma retração superior a 5,7% frente ao fechamento de sexta-feira, dia 23 de outubro, quando encerrou cotado a 307,45 cents/lb, tendo passado por 300,95 cents/lb ao final da sessão de segunda-feira, dia 26 de outubro.
SALTO NAS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS PRESSIONA COTAÇÕES
O principal vetor de pressão vendedora sobre as cotações em Nova York vem do avanço físico dos embarques brasileiros. Dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), citados pela Terra Agro Insights, mostram que o Brasil exportou 3,30 milhões de sacas de 60 kg até o dia 22 de outubro.
O volume representa um crescimento expressivo de 43,2% na comparação com o mesmo período acumulado em 2025. A chegada constante de navios carregados com grãos brasileiros aos portos do Hemisfério Norte vem aliviando o desabastecimento de curto prazo e reforçando a perspectiva de maior oferta disponível para as torrefadoras internacionais.
Ainda assim, operadores ressaltam que os estoques certificados de arábica em Nova York permanecem em níveis histologicamente reduzidos, o que mantém um piso de atenção para as entregas físicas dos contratos de vencimento mais próximo.
CLIMA FAVORÁVEL PARA A SAFRA 2027/28 NO BRASIL
Outro fator fundamental para a consolidação das baixas é o quadro meteorológico no cinturão cafeeiro do Brasil. O retorno e a regularização das chuvas nas principais praças produtoras de Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo têm favorecido o pegamento das floradas e o desenvolvimento inicial da safra 2027/28.
Embora a regularidade do volume pluviométrico e as temperaturas médias dos próximos meses continuem sendo determinantes para definir o potencial produtivo da safra futura, o alívio hídrico recente foi suficiente para mitigar o prêmio de risco climático que sustentava os preços em patamares elevados.
ROBUSTA EM LONDRES OPERA MISTO E CÂMBIO ACOMODA
Enquanto a NY registra forte retração, a Bolsa de Londres (ICE Futures Europe) apresenta um comportamento mais cauteloso para o café robusta. Segundo dados da Barchart, o contrato janeiro/27 operava em estabilidade, cotado a US$ 3.202 por tonelada (+0,03%). O vencimento novembro/26 avançava US$ 76, para US$ 3.270/t, enquanto março/27 ficava estável em US$ 3.188/t e maio/27 subia US$ 3, a US$ 3.180/t.
No mercado interno brasileiro, levantamento da consultoria Safras & Mercado indica que os preços do café no mercado físico abriram a terça-feira em patamares mais baixos, refletindo o tombo em Nova York e a acomodação da taxa de câmbio. Após a forte alta do Dólar na segunda-feira, a leve oscilação da moeda americana reduz o valor em Reais recebido pelo produtor, mantendo o câmbio como elemento central na formação das cotações locais.