Alerta fiscal de senador eleito por Mato Grosso, Mauro Mendes, acende sinal amarelo para o agronegócio; VEJA VÍDEO

Política

*Sêmia Mauad/ Agrofrequência

O alerta emitido pelo senador eleito por Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), sobre a deterioração das contas públicas nacionais traz desdobramentos diretos para a competitividade do agronegócio. Em declaração recente, Mendes destacou que o Brasil vive uma “crise fiscal contratada”, sustentada por uma dívida pública que supera a marca de R$ 11 trilhões e um déficit previdenciário superior a R$ 500 bilhões.

Para Mendes, a trajetória das contas públicas aponta para um colapso iminente se o Executivo e o Legislativo não encararem as reformas estruturais com prioridade.

“Existe uma crise contratada desse país, gravíssima, que vai acontecer. Não estou desejando, mas os números mostram. Eu tenho falado já há alguns anos que o Brasil está em crise fiscal. Um país que deve mais de R$ 11 trilhões, que tem um déficit da Previdência que ultrapassa R$ 500 bilhões. E enquanto o Congresso fica brigando por migalhas de emendas parlamentares”, criticou o senador eleito.

Para o setor produtivo agrícola, a deterioração das contas do governo não é apenas um debate político, mas um fator que impacta diretamente os custos de produção, a taxa básica de juros (Selic) e a capacidade do Tesouro Nacional em subsidiar o Plano Safra e equalizar taxas de juros no campo.

O cenário exposto por Mauro Mendes ganha contornos de atenção com as manobras do Governo Federal para remanejar R$ 20 bilhões no Orçamento de 2027, visando custear o pacote de benefícios sociais ampliados no período eleitoral.

O conjunto de medidas envolve:

-Reajuste do Bolsa Família (15%): R$ 22 bilhões;

-Desenrola 3.0: R$ 5 bilhões;

-Pé-de-Meia Universitário: R$ 2 bilhões;

-Pix MEI: R$ 1 bilhão.

A expansão de gastos sem contrapartida de corte de despesas permanentes mantém a percepção de risco fiscal elevada. Como consequência, o Banco Central é forçado a manter juros mais altos para conter a inflação, o que encarece o financiamento de máquinas, insumos, fertilizantes e custeio das lavouras.

O desequilíbrio das contas da União afeta o setor agropecuário em três frentes centrais. Com o Orçamento pressionado por despesas obrigatórias e programas sociais, sobram menos recursos fiscais para a equalização de juros no Plano Safra, empurrando o produtor para linhas de crédito de mercado com taxas mais elevadas. A incerteza fiscal desvaloriza a moeda nacional frente ao dólar. Embora ajude na receita de exportação da soja e do milho, a disparada cambial encarece a importação de fertilizantes e defensivos para a safra seguinte. Com o Congresso focado em emendas parlamentares e o governo absorvido pelo custeio de programas sociais, investimentos essenciais em logística (rodovias, ferrovias e armazenagem) correm o risco de paralisação ou cortes.

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Vídeo: Reprodução

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