Polícia Federal mira esquema de fraude florestal e comércio ilegal de madeira nativa em MT, GO e MG

Mato Grosso

*Sêmia Mauad/ Agrofrequencia

A Polícia Federal deflagrou, na última terça-feira, dia 20 de outubro, a Operação Ligna Ficta, voltada ao combate e desarticulação de uma organização criminosa especializada no transporte e comércio ilegal de madeira nativa, além de fraudes nos sistemas oficiais de controle florestal.

A ofensiva cumpriu cinco mandados de busca e apreensão expedidos pela Vara Federal Cível e Criminal da Subseção Judiciária de Barra do Garças (MT), com alvos localizados nos municípios de Barro Alto (GO) e Unaí (MG).

As investigações tiveram início no polo logístico de Barra do Garças, no Araguaia mato-grossense, após a interceptação e apreensão de um caminhão que transportava aproximadamente 52 metros cúbicos de jatobá, madeira nativa de alto valor comercial. O carregamento trafegava desprovido do Documento de Origem Florestal (DOF) e a nota fiscal apresentada descrevia um produto totalmente diverso da carga real fiscalizada pelas autoridades.

A partir da apreensão inicial em Mato Grosso, a Polícia Federal mapeou o modus operandi da rede criminosa. O esquema envolvia madeireiras sediadas em Goiás e Minas Gerais que atuavam de forma coordenada para fraudar a cadeia de custódia e a rastreabilidade da madeira extraída das florestas nativas.

O grupo financiava o transporte, a logística e a comercialização dos lotes ilegais mediante a utilização de créditos florestais sem correspondência física (a chamada “madeira virtual”). Essa manipulação nos sistemas de controle ambiental permitia “esquentar” e legalizar o produto florestal retirado irregularmente. Além disso, as apurações apontaram a abertura sucessiva de empresas de fachada para burlar fiscalizações e dar continuidade às atividades ilícitas.

Os materiais, documentos digitais e mídias apreendidos durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão nas cidades de Barro Alto e Unaí foram encaminhados à perícia técnica da Polícia Federal.

A análise das provas colhidas tem como objetivo identificar outros integrantes da rede de receptação e compradores finais da madeira ilegal, além de quantificar os danos ambientais e os valores movimentados pelo esquema fraudulento no setor florestal.

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