*Sêmia Mauad/ Agrofrequencia
O custo total de produção da soja para a safra 2026/27 em Mato Grosso registrou um avanço de 6,96%, atingindo a marca de R$ 8.210,31 por hectare em outubro de 2026. A alta foi impulsionada principalmente pela elevação nos gastos com operações mecanizadas e defensivos agrícolas, somada às incertezas climáticas associadas ao fenômeno El Niño, que pressionam a produtividade e a rentabilidade do produtor rural.
Os dados fazem parte do levantamento mensal do projeto Custo de Produção Agropecuária de Mato Grosso, desenvolvido conjuntamente pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT).
OPERAÇÕES MECANIZADAS E DEFENSIVOS PUXAM ENCARECIMENTO
De acordo com a análise do Imea, o grande vilão do orçamento da safra 2026/27 foi o gasto com operações mecanizadas, que disparou 23,85% na comparação com o ciclo anterior. O instituto aponta que esse encarecimento reflete os impactos logísticos e o encarecimento de combustíveis e peças derivados das tensões geopolíticas e conflitos no Oriente Médio.
Outro componente de forte peso foi o grupo dos defensivos agrícolas, que apresentou uma valorização de 10,10% nas cotações de mercado.
Com o impulso desses insumos e serviços, o custeio da produção subiu 3,43% em relação à temporada passada, fechando em R$ 4.324,87 por hectare, o que representa um acréscimo direto de R$ 143,61 por hectare na conta do agricultor.
QUEDA NO PREÇO DAS SEMENTES ALIVIA MARGENS, MAS EL NINÕ ACENDE ALERTA
A pressão altista sobre o custo operacional foi parcialmente amortecida pelo mercado de insumos biológicos e genéticos. O preço das sementes de soja registrou uma queda de 21,96%, fator crucial apontado pelo Imea para evitar uma disparada ainda maior no custo total por hectare.
Por outro lado, o cenário financeiro da safra exige cautela redobrada na gestão da propriedade. A perspectiva de uma menor produtividade nas lavouras, atrelada aos riscos climáticos provocados pelo fenômeno El Niño nas principais regiões produtoras do estado, ameaça comprometer a receita bruta final. Como o rendimento por hectare pode ficar abaixo das médias históricas em áreas afetadas pela irregularidade das chuvas, a margem de lucro do produtor mato-grossense para o ciclo 2026/27 segue sob forte aperto.